Querer cercar a pessoa amada

     Acredito que muita gente comete algumas atitudes sem refletir, ao certo, nas consequências e desdobramentos das mesmas, bem como sobre o que, de fato, tais atitudes estão significando.

 

     Vou dar um exemplo e depois discutimos sobre ele. Sabe aquelas cerquinhas de fazenda, de desenhos animados? Pois bem, já imaginou você chegar com aquelas madeirinhas de ponta arredondada e cercar a pessoa que você ama? Seria uma cena anormal e absolutamente bizarra, não é mesmo?

 

     Mas, infelizmente, é assim que muita gente age em relação à pessoa amada. Usa de muitos argumentos, como: “Quem ama, cuida”; “Você tem que agradecer por eu me importar de querer saber o que você anda fazendo, porque se não tivesse ciúmes significaria que nem ligava pra você”, entre tantos outros argumentos trabalhados e moldados como a cerquinha das fazendas de desenhos infantis. Estas são tão bonitinhas, de ponta arredondada e, por vezes, pintadas de branco. Contudo, não deixam de serem cercas! Elas limitam, denotam posse e são restritivas! São usadas até como decoração em algumas fazendas, mas por mais belas ou ornamentais que sejam, não deixam de cumprir o seu papel, isto é, o de cercar, limitar, restringir e mostrar que o que está cercado é de propriedade de alguém.

 

     Ora, enquanto cerca, cumpre perfeitamente com sua função e intenção. Mas, e quando cercamos a pessoa amada? Cobranças, acusações, discussões, brigas! O que estamos querendo com todas estas cercas? Proteger? Proteger do que ou de quem? Ou, na verdade é uma autoproteção? Autoproteção do quê? De ser traído? De ser enganado? De ser deixado? É a fiscalização a fim de garantir que não será deixado?

 

     Meu Deus, quantas perguntas, não é mesmo? Acredito que elas sejam necessárias. Através delas podemos avaliar e reavaliar nossas próprias atitudes e o que se esconde por trás de nossas “lindas cercas camufladas de proteger e amar”.

 

     Quanto mais quisermos cercar alguém e demonstrarmos que somos seus proprietários, mais inseguros ficaremos. Desenvolveremos um pensamento mais ou menos assim: acreditaremos que a pessoa está ao nosso lado não por OPÇÃO LIVRE, mas sim porque estamos fiscalizando e cercando. Consequentemente, tal atitude alimentará ainda mais a insegurança. Com mais insegurança buscaremos aumentar ainda mais o controle... e aí entra-se num círculo vicioso e doentio.

 

     Precisamos quebrar com este círculo vicioso! Busquemos desenvolver o círculo virtuoso: eu sou livre, logo, deixarei a pessoa amada também livre. Ela é minha OPÇÃO LIVRE, assim como sou a sua. Posso deixa-la? Sim, posso! Ela pode me deixar? Sim, pode! Vou me dar na relação e fazer a minha parte sem deixar de ser eu mesmo. Contudo, ainda assim, não é garantia de que não serei deixado. Caso o seja, ao menos saberei que fiz minha parte, e ponto. Pense nisso! Um forte abraço: André Massolini


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